Podemos começar por recuar um pouco no tempo, até àqueles tempos em que havia uma ministra que, aliada ao Primeiro-Ministro, pouco ou nada dizia aos professores e sindicatos, e que quando dizia alguma coisa era para mudar as leis… para pior. Com as eleições isso mudou, porque fartos da “Lurdinhas” estavam os docentes e alunos. Então surgiu uma nova personalidade, que assim que recebeu a pasta para a qual não tinha sido convidada – disse-nos ela -, no dia seguinte já aceitara o cargo como quem não quis a coisa.
Tratei imediatamente de traçar o seu perfil enquanto nova Ministra da Educação: Isabel Alçada, escritora de livros infanto-juvenis e anterior directora do Plano Nacional de Leitura com slogan nada convidativo “Ler +”, disposta a negociar com sindicatos e FENPROF, na medida em que as negociações serão para negociar sobre o que está em cima da mesa, neste caso (e arrastando-se há anos), o modelo de avaliação, esse bicho materializado em papéis e papelinhos “ditatoriais” e em aulas assistidas para os professores que quiseram. Então cá está: o milagre das negociações, o milagre por que todos aguardavam já impacientes e desejosos de encher Lisboa com mais manifs de entupir a Capital com milhares de docentes em plenos pulmões. Mas foram mais as exigências feitas. Como o Estatuto da Carreira Docente não agradou à maioria, bem como o modelo de avaliação (mal) adoptado nas escolas, os professores contestaram, mas não obtiveram novamente a resposta prometedora do “estou disposta a negociar”, porque isso já não agradou à ministra.
Então ficámos um tanto ou quanto - senão mesmo na mesma -, sendo que se os modelos, estatutos e demais conceitos não forem abolidos ou suspensos, continuarão as manifestações de cortar o trânsito em Lisboa, sustentando assim os desentendimentos entre Ministério e Plataformas Sindicais (podendo conduzir, em casos mais extremos, ao arremesso de novas paletes de ovos de marca Pingo Doce).
Um cenário demasiado negro, eu sei. Mas é assim: por enquanto, temos uma ministra que se diz “disposta a negociar”… e disso não passa. Será “sol de inverno e de pouca dura?”


Sem comentários:
Enviar um comentário
Comente os artigos deste blog!